Capulanas Cia de Arte Negra.
Capulanas Cia de Arte Negra lança livro em São Paulo
Capulanas Cia de Arte Negra
Síntese do texto recentemente publicado no livro EM-GOMA, São Paulo: Capulanas, 2011. Disponível para compra.
Toda identidade humana é construída e histórica; todo o mundo tem seu quinhão de pressupostos falsos, erros e imprecisões.
Kwame Anthony Appyah
Salloma Salomão Jovino da Silva *
Capulanas é um tecido utilizado predominantemente por mulheres. Entretanto tal conhecimento na manufatura tem sido tradicionalmente habilidade masculina. Embora nosso imaginário insista no contrário e as relações econômicas desiguais entre as sociedades africanas e o resto do mundo pareçam confirmar, podemos dizer sem margens para dúvida que historicamente na África a tecelagem tem diferentes origens e elas são remotas, assim como seu comércio na longa distância. Enquanto os fardos de linho de cânhamo egípcio circulavam pelas margens do Mediterrâneo e Mar Vermelho atingindo daí o Golfo pérsico, tecidos do Gana, na África do oeste, foram utilizados nos funerais da rainha Nzinga, na África central. Também nas narrativas mais remotas, não é rara a imagem de um ser Pré-existente ou Incriado, como um exímio tecelão. Por analogia a criação é como a urdidura dos panos.
Talvez não haja metáfora melhor que o tecido para desfraldar uma bandeira de unidade-diversidade das culturas negras diaspóricas. Síntese e ao mesmo tempo ícone completo e complexo, que extrapola o caráter biológico e mecânico de uma certa identidade negra, para instaurar-se um núcleo de possíveis alianças, em torno de questões comuns. Unidade-diversidade já entrevista por pesquisadores generosos e visionários como Roger Bastide, Melville Herskovisk, Artur Ramos, Edson Carneiro, Stuart Hall e revisada por Gerard Kubik, Kazadi Wa Mukuna, John Thorton, Linda Heyoowd, Joel Rufino, Muniz Sodré, Nei Lopes e Paul Gilroy, entre outros.
By Salloma/Aruanda Mundi
Adrina Paixão
Os fios desse tecido Capulanas, é feito de memórias, sonhos em frangalhos, histórias interditadas, mas acima de tudo tramado com novos fios-utopias. Nós precisamos delas. Quando tais utopias são revestidas com panos de artes, elas se tornam muito mais reais e longevas, mais cambiantes, fluidas e dinâmicas. As texturas e elasticidade, cores e pertinência, a durabilidade, os signos e usos desse tecido somente podem ser reelaborados sob o símbolo básico da própria diáspora negra, a reinvenção.
No contexto atual dos movimentos culturais da cidade de São Paulo emergem vários novos protagonistas, sobretudo os Saraus e Coletivos Culturais. Saraus e Coletivos são noves genéricos para um conjunto variado de práticas culturais recentes, que eclodiram e se consolidaram na cidade e também na região sul. No seu bojo há produção literária, teatral, musical e cinematográfica, assim como artes visuais, performances, danças, e várias outras linguagens híbridas. Diferenciam-se dos anteriores tanto por um apelo a produção coletiva, como pela elaboração e apropriação de novas tecnologias culturais para empreendê-las.
By Guma
Capulanas
Capulanas é o nome escolhido por jovens atrizes negras para dar materialidade a sua Companhia de Artes Negras. Trata-se nominalmente das protagonistas de seu próprio enredo: Débora Marçal, Priscila Preta, Adriana Paixão e Flávia Rosa, todas oriundas de grupos culturais e artísticos que surgiram e atuam na região sul, na periferia de São Paulo nos últimos dez anos. Movidas por um desejo insaciável de aprendizagem e revisão estética, atravessaram as fronteiras do teatro e da cultura popular, da dança-afro e das musicalidades negras para instaurar uma dramaturgia autoral.
O grupo teatral Capulanas Cia de Artes Negras se destaca nessa paisagem e já recebeu 4 fomentos para sua produção teatral. Trata-se nominalmente das protagonistas de seu próprio enredo: Débora Marçal, Priscila Preta, Adriana Paixão e Flávia Rosa. Todas oriundas de grupos culturais e artísticos que surgiram e atuam na região sul, nos últimos dez anos. Movidas pelo desejo de aprendizagem e revisão estética, atravessaram as fronteiras do teatro e da cultura popular, da dança-afro e das musicalidades negras para instaurar uma dramaturgia autoral inspirada em várias referências, mas sobretudo, em Solano Trindade.
By Guma
Debora Marçal
Embora outros grupos da região tenham enunciado o pertencimento a origem africana como uma peculiaridade, os registros sobre o discurso estético e político da Capulanas nos sugere uma ruptura com os demais. Ao colocar seu projeto dentro de uma continuidade que se remete ao literato negro Solano Trindade e fixar uma perspectiva negra e feminina, reelabora o texto do feminismo negro, cuja fonte é Lélia Gonzales e o faz entrecruzar com a concepção socialista de Cultura Popular de Solano Trindade. O resultado dramatúrgico e textual é algo totalmente inédito e estimulante.
Originalmente Capulanas é uma palavra de origem bantu (definida pelos pesquisadores como tronco lingüístico nigero-congolês), especificamente pertence ao grupo linguístico Tsonga que é falado na costa Oeste da África por quase 3,5 milhões de pessoas em Moçambique, Zimbábue e Suazilândia. Capulanas por aquelas bandas é o nome que se dá um tecido utilizado pelas mulheres para cobrir a parte inferior do corpo, uma espécie de canga. Ocasionalmente cumpre papel de sobre-saia podendo ser também jogado sobre os ombros como xale, turbante, anteparo de objetos levados á cabeça ou ainda as mães os usam para transportar os nenês às costas.
By Guma
No passado os tecidos eram produzidos artesanalmente, mas desde o século XX passaram a industrializados fora da África e comercializado por lojas e ambulantes nas feiras dos centros urbanos. Seu impacto visual com coloridos e estampas diversas acabam chamando atenção dos estrangeiros, que o vêem como algo “típico”. O escritor Marcelo Dias Panguana publicou "À Volta de Capulana" capítulo do livro “As vozes que falam a verdade”, lançado em 1987. Regina Casé utilizou-se duma capulana para gravar programa sobre a periferia de Maputo, capital de Moçambique em 2006. Talvez não seja apenas coincidência que os homens usem saiotes em uma das práticas culturais negras brasileiras marcadamente teatralizadas, o Moçambique. Culto-Canto-Dança encontrado principalmente entre descendentes de africanos na região sudeste do país.
By Salloma/Aruanda Mundi
Priscila Preta
Debora Marçal, Priscila Preta, Adriana Paixão e Flavia Rosa, são depositárias e revisoras por escolha própria e por herança, de um repertório denso, múltiplo e complexo de lutas, memórias, silêncios, liturgias, negações e reinvenções milenares. Estão muito conscientes, negramente falando, dessa responsabilidade. Ao mesmo são construtoras de novas cosmovisões, que podem ser alimentadas pelo frescor e pela virilidade dos seus anos. Seus desafios consistem em compatibilizar tais experiências com as barreiras que poderão advir.
Os encontros semanais com duração de quatro horas contavam coma participação de: Naruna Costa- Atriz, Firmino Pitanga- Coreógrafo, Julio Moracen- Dramaturgo e Antropólogo, Salloma Salomão Jovino da Silva- Historiador e Músico. Eram intercalados por outras formações pontuais intituladas Onin, nas quais participaram Cida Bento- Pesquisadora em Psicologia Social, Lisy Leiba Salum- Antropóloga, Amailton Magno Azevedo- Historiador, Evani Tavares – Coreógrafa e Antropóloga, Juliana Moraes- Antropóloga, Dona Nilde Gomeiro-Yalorixá, Marcos Ferreira Santos- Faculdade de Educação– USP, Regina - Coordenadora de Políticas Públicas de Saúde da População Negra de Embu das Artes-SP, Viviane Lima- Historiadora.
By Salloma/Aruanda Mundi
Flávia Rosa
Partimos da seguinte premissa: Nas culturas de matriz africana os corpos são atravessados por usos, símbolos e significados que entraram em conflitos com as visões européias. Até que ponto somos herdeiros de uma e de outra orientação cultural? Os conhecimentos, vivências e experiências sobre Artes, Identidade, Saúde, Doença e Religiosidade podem ser pistas dos (dês)caminhos do corpo no espaço/tempo e na cultura.
Foi emocionante perceber como estas jovens pesquisadoras, educadoras, atrizes negras estabeleceram compromissos mútuos no processo de auto-construção social. Como foram capazes de elaborar formas colaborativas de aprendizagem e auto-preservação psíquica e física. Suas experiências nos ensinam sobre o alcance do equilíbrio entre alteridade e individualidade, quando se estabelecemos plataformas duradouras e flexíveis.
São ventos frescos no terreno árido na longa história dos descendentes de africanos em São Paulo, no Brasil, no Mundo. Ventos que simbolizam prenúncios de mudanças pelas quais ansiaram e semearam alguns dos que vieram muito antes de nós. Ventos de um tempo fecundo de alteridade, solidariedade e liberdade.
*Salloma Salomão Jovino da Silva é músico e historiador, ativista do movimento negro e professor de História da África no Centro Universitário Fundação Santo André, São Paulo. Pesquisador visitante do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Tem atuado em projetos artístico-culturais e de formação continuada de educadores e pesquisado temas relacionados a História Cultural das Diásporas Negras e Educação Pluricultural. Co-elaborou o projeto formativo da Capulanas Cia de Arte Negra.
Postado por SALOMAO JOVINO DA SILVA às 14:46
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
https://www.instagram.com/capulanasciadeartenegra/
Adriana Paixão e novos estudos sobre teatralidades negras em São Paulo. Ontem com auditório lotado de juventude em Santo André. A luta pela produção de conhecimento autônomo e significativo é o legado mais rico e duradouro do pensamento advindo das civilizações africanas. Só o conhecimento profundo e uma perspectiva humanista renovada pode nos levar a formas efetivamente emancipadoras de existência e auto compreensão. Adriana percorre vários caminhos entre as periferias e bordas da metrópole buscando vestígios de vivências negras femininas. Os trajetos que recupera narram com poesia tudo aquilo que aparentemente é desprovido de beleza. Ela parte da produção teatral de jovens mulheres negras nas beiras de São Paulo para nos fazer ver e crer em caminhos muito mais amplos, geografias humanas e criativas que atravessam o oceano atlântico em múltiplas direções, utopias e desejos feito coriscos no céu muitas vezes baixo, cinza e pesado do racismo e sexismo. O céu carregado de nuvens de chumbo e pessimismo o qual a sociedade resultado da expansão europeia impôs e impõem aos colonizados de ontem e de hoje. O conhecimento é a única real liberdade. Sou muito grato por essa amizade com a essa menina mulher da pele preta, como diria aquele poeta.
Nos últimos 8 anos mudei, não por completo, os rumos de minhas investigações. Passei a me interessar mais por questões da contemporaneidade negra no Brasil, partindo das beiras de São Paulo. Isto envolveu etnografia do cotidiano, imagens de câmera de celular, visitações interessadas aos grupos culturais, perguntas informais sobre criação e criatividade, sobre identidades e auto construção, mediações digitais sonoras/fotográficas e uma pergunta básica. Que cidade te habita? Que logo foi alvo de expropriação. Em 2013 fiz as primeiras experiências de constituição de um pequeno núcleo de investigação em afroteatralidades na Fundação Santo Andre, onde pude contar com boicote de outros professores. Conquanto, eu tenha recebido prêmio SEC. Cult. SP Ruth de Souza por um texto escrito em 2006 e venha acumulando desejos em torno desse saber fazer desde a adolescência, agora sexagenário vouimboraprarte. Em 2014 escrevi a primeira versão do infantil A Arca de Ébano atualmente dirigido por Miriam Míriam Selma. Em 2016 realizei com largo apoio o espetáculo musical e semi teatral Três Mil Tons para o Auditório Ibirapuera. Ainda no campo das afroteatralidades 2017 escrevi o texto do espetáculo Afro.Rock Agosto na cidade murada, dirigido por Jé Oliveira e Mariana Mayor. Tenho participado como colaborador e crítico afetuoso de vários grupos, a saber, Capulanas, Trança, Nucleozona Autônoma, Clariô, Inventivos, Coletivo Negro, Brava Companhia, Colhendo Contos, Cazuá, Coletiva Ocupação, Teatro Popular Solano Trindade, Levante Mulher, Kizumba, Crespos, Coletivo dos anjos, etc. Então em algumas dessas ocasiões a coisa fluiu, noutras por conta da armadura e defesa da branquitude a bola bate na trave. Além disso estabeleci relações com grupos que tem dúvidas, medo e vício, ou confusão no entendimento de questões ligadas a identidade, culturas negras, ou histórias das teatralidades negras. Também estive envolvido com grupos teatrais predominantemente brancos ou de orientação eurocêntrica, para os quais ofereci, no limite do entendimento, noções básicas sobre racialidade, diversidade e anticolonialidade, aplicadas ao teatro. Essas têm sido minhas ricas e diversas escolas negras de teatro e dramaturgias. Escrevo isso um pouco como memória, como soberba, um tanto como currículo Lattes, ou ainda contra o apagamento recorrente do qual tendemos a sermos vitimados, artistas e intelectuais negras, de forma naturalizada. Com apoio do Sesc, Tusp e Conservatório Dramático e Musical de Tatuí ofereci oficinas de teatralidades onde tenho aprofundado minhas pesquisas. Já tive oportunidade de conversar longamente com artistas muito bem postas na cena teatral como: Priscila Obaci, José Fernando Azevedo, Aisha Nascimento, Debora Marçal, Lucélia Sérgio, likco Turle, Março Fera, Je Oliveira, Jéferson Matias, Sérgio Pires, Jhonny Salaberg, Dani Nega Daniele Danieli Lima, Soso Martins, Anderson Feliciano, Cláudia Shapira, Onisaje, Daniel Lima e por aí vai. Dessas conversas vou enchendo meu bornal de impressões, delicadezas, conceitos, fofocas de boca selada. Aqui: Imagem filminho da pesquisa sobre Corporalidade/ Espacialidades Afro diaspóricas com Alunes da Escola Eco Teatral. A geografia teórica de Milton Santos é que nós fala sobre a apreensão simbólica do espaço humanizado. A pergunta trata do espaço simbólico apreendido pelas formas negras de teatralidade. Também carrega questões sobre diferenças, indiferenças e coabitação de corpos racializados (Afroindigenas) e corpos tidos como universais (brancos), além de derivações e divagações sobre as possibilidades em torno da Descolonização dos Imaginários. Aqui um exercício de dinâmica corporal proposto por Artur Alfaia alune da ecoateatral, onde colaboro como educador.
Já está disponível TEATRO SITUADO: REVISTA DE ARTES CÊNICAS COM OLHOS LATINO-AMERICANOS. N° 4, revista construída a muitas mãos, abrindo caminhos e conectando pessoas e trabalhos desta Nuestra América.
Essa edição conta com textos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Paraguai, Peru e Venezuela sobre o tema "Territórios Abertos nas Artes Cênicas".
Agradecemos cada contribuição!! E a aqui agradeço em especial ao mestre Salloma Jovino Salomão, do Brasil, pelo texto sobre teatralidades negras e periféricas, com olhar para a Cia. Capulanas de Arte Negra.
Teatro Situado Revista de artes Cênicas com olhos Latino-americanos N° 4. Territórios Abertos nas Artes Cênicas. Abril, 2022. Coordenadoras: Julieta Grinspan | Mariana Mayor | Mariana Szretter | Design gráfico Lorena Divano. Imagem de capa: Projeto de cenografia e indumentária de Alejandro Mateo (ADEA) para o espetáculo “El robo del siglo”, de Marcela Marcolini, dir. Pablo Razuk (trabalho em processo). Argentina, Bs. As. Ver menos
— com Paola Lopes Zamariola e
outras 10 pessoas
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As vozes que geram a forma no teatro negro feminista da Capulanas Cia. de Artes Negra
Autores
Kleber Lourenço
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, (UERJ), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, lourencokleber@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-6774-0834
DOI: https://doi.org/10.5216/ac.v7i2.70393
Resumo
O objetivo deste artigo é relatar uma experiência de militância feminista negra por meio da poética artística. Acompanharemos a trajetória da Capulanas Cia de Arte de Negra, grupo teatral de mulheres negras periféricas da zona sul da cidade de São Paulo e o seu trabalho estético que contribui para a produção de novas epistemes. Aqui, um cruzamento de vozes apresenta perspectivas sobre o trabalho da companhia, seus processos criativos e a recepção do público com uma de suas obras. Com isso, refletimos sobre o pensamento estético de um teatro negro que abrange temas sociais e políticos.
Palavras-chave: Teatro Negro. Feminismo Negro. Artetnografia. Corpo Motriz.
Biografia do Autor
Kleber Lourenço, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, (UERJ), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, lourencokleber@gmail.com
Kleber Lourenço é ator, bailarino, coreógrafo, encenador, arte-educador e pesquisador em artes da cena. Doutorando em Artes pelo PPGArtes da UERJ, bolsista CAPES e Mestre em Artes pela UNESP, encenador na Capulanas Cia de Arte Negra e diretor artístico do Visível Núcleo de Criação. Integra o grupo de pesquisa MOTIM – Mito, Rito e Cartografias Femininas na Arte (CNPq/UERJ) e a Descentradxs – Red Descentrar la Investigación em Danza. Seus trabalhos concentram-se nas linguagens da dança e do teatro atuando nas áreas de coreografia, encenação e formação pedagógica.
E-mail: lourencokleber@gmail.com
Referências
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SILVA, Salloma Salomão Jovino da; CAPULANAS Cia de Arte Negra (org.). Negras insurgências: teatros e dramaturgias negras em São Paulo, perspectivas históricas, teóricas e práticas. São Paulo: Ciclo Contínuo, 2018. p. 11.
https://revistas.ufg.br/artce/article/view/70393
Dramaturgias negras publicadas no Brasil no século XXI: territórios estéticos, culturais e políticos
Elton Bruno Soares de Siqueira
Universidade Federal de Pernambuco
https://orcid.org/0000-0001-6134-6046
Elton Bruno Soares de Siqueira
Universidade Federal de Pernambuco
https://orcid.org/0000-0001-6134-6046
Resumo
A partir de um corpus constituído de textos teatrais escritos e publicados por brasileiras negras e negros neste século XXI, a pesquisa se propõe a investigar características do que se tem comumente chamado de “dramaturgia negra” (ANUNCIAÇÃO, s/d; JOVINO DA SILVA, 2018; LIMA & LUDEMIR, 2018; BENEVENUTO, SOUZA & ALEXANDRE, 2018). A problemática da pesquisa compreende as seguintes indagações: o que são essas dramaturgias negras? Quais dispositivos estéticos, ideológicos e políticos podem ser identificados nessas produções? É possível identificar elementos estéticos e culturais comuns nesses esses textos dramáticos? Este trabalho se propõe a oferecer os primeiros resultados da pesquisa, em que se delineiam dois territórios possíveis dessa produção dramatúrgica: o primeiro contém textos que se caracterizam pelo discurso de afirmação da identidade negra; o segundo reúne projetos do que que estou chamando, provisoriamente, de dramaturgia do tropeço, tomando de empréstimo o termo criado por Anderson Feliciano (2021) para uma dramaturgia de autoria negra que busca construir sua identidade no próprio processo em que se realiza. Esta pesquisa faz opção por um posicionamento anticolonial, engajando-se na ação política e epistemológica de uma leitura crítica da colonialidade/decolonialidade, a fim de contribuir, numa postura antirracista, para um debate aprofundado – e, assim, para uma maior visibilidade – da produção escrita por negras e negros brasileiros para o teatro feito no país.
Biografia do Autor
Elton Bruno Soares de Siqueira, Universidade Federal de Pernambuco
Professor Associado I do curso de Teatro/Licenciatura, no Departamento de Artes, e Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos (PPGDH), ambos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
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https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/abrace/article/view/5310
Veja também:
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Negras Insurgências: Teatros e dramaturgias negra em São Paulo. Perspectivas Históricas, teóricas e práticas.
Formato:
eBooks ou Documentos
Idioma:
Português
Negras insurgências. Teatros e dramaturgias negras em São Paulo.
Perspectivas Históricas, teóricas e práticas.
Lançado em 2018 no Espaço Itau Cultural São Paulo, reúne textos de Dione Carlos, Salloma Salomão, Debora Marçal, Priscila Obaci, Carol Ewaci, Flávia Rosa, Adriana Paixão. Reconstrói a trajetória criativa do grupo de Arte Negra Capulanas, composto por jovens atrizes negra da periferia da cidade de São Paulo e suas andanças criativas por São Paulo, o Brasil e a África, especialmente Moçambique onde ficaram bandeira. Além disso o livro pensado em parceria com o dramaturgo, músico e historiador Salloma Salomão Jovino investiga as possíveis origens das formas teatrais e dramatúrgicas negro-africanas no Brasil. Preparado por Neide Almeida e desenhado por Cassimano contem 228 páginas.









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