Nos últimos 8 anos mudei, não por completo, os rumos de minhas investigações. Passei a me interessar mais por questões da contemporaneidade negra no Brasil, partindo das beiras de São Paulo. Isto envolveu etnografia do cotidiano, imagens de câmera de celular, visitações interessadas aos grupos culturais, perguntas informais sobre criação e criatividade, sobre identidades e auto construção, mediações digitais sonoras/fotográficas e uma pergunta básica. Que cidade te habita? Que logo foi alvo de expropriação. Em 2013 fiz as primeiras experiências de constituição de um pequeno núcleo de investigação em afroteatralidades na Fundação Santo Andre, onde pude contar com boicote de outros professores. Conquanto, eu tenha recebido prêmio SEC. Cult. SP Ruth de Souza por um texto escrito em 2006 e venha acumulando desejos em torno desse saber fazer desde a adolescência, agora sexagenário vouimboraprarte. Em 2014 escrevi a primeira versão do infantil A Arca de Ébano atualmente dirigido por Miriam Míriam Selma. Em 2016 realizei com largo apoio o espetáculo musical e semi teatral Três Mil Tons para o Auditório Ibirapuera. Ainda no campo das afroteatralidades 2017 escrevi o texto do espetáculo Afro.Rock Agosto na cidade murada, dirigido por Jé Oliveira e Mariana Mayor. Tenho participado como colaborador e crítico afetuoso de vários grupos, a saber, Capulanas, Trança, Nucleozona Autônoma, Clariô, Inventivos, Coletivo Negro, Brava Companhia, Colhendo Contos, Cazuá, Coletiva Ocupação, Teatro Popular Solano Trindade, Levante Mulher, Kizumba, Crespos, Coletivo dos anjos, etc. Então em algumas dessas ocasiões a coisa fluiu, noutras por conta da armadura e defesa da branquitude a bola bate na trave. Além disso estabeleci relações com grupos que tem dúvidas, medo e vício, ou confusão no entendimento de questões ligadas a identidade, culturas negras, ou histórias das teatralidades negras. Também estive envolvido com grupos teatrais predominantemente brancos ou de orientação eurocêntrica, para os quais ofereci, no limite do entendimento, noções básicas sobre racialidade, diversidade e anticolonialidade, aplicadas ao teatro. Essas têm sido minhas ricas e diversas escolas negras de teatro e dramaturgias. Escrevo isso um pouco como memória, como soberba, um tanto como currículo Lattes, ou ainda contra o apagamento recorrente do qual tendemos a sermos vitimados, artistas e intelectuais negras, de forma naturalizada. Com apoio do Sesc, Tusp e Conservatório Dramático e Musical de Tatuí ofereci oficinas de teatralidades onde tenho aprofundado minhas pesquisas. Já tive oportunidade de conversar longamente com artistas muito bem postas na cena teatral como: Priscila Obaci, José Fernando Azevedo, Aisha Nascimento, Debora Marçal, Lucélia Sérgio, likco Turle, Março Fera, Je Oliveira, Jéferson Matias, Sérgio Pires, Jhonny Salaberg, Dani Nega Daniele Danieli Lima, Soso Martins, Anderson Feliciano, Cláudia Shapira, Onisaje, Daniel Lima e por aí vai. Dessas conversas vou enchendo meu bornal de impressões, delicadezas, conceitos, fofocas de boca selada. Aqui: Imagem filminho da pesquisa sobre Corporalidade/ Espacialidades Afro diaspóricas com Alunes da Escola Eco Teatral. A geografia teórica de Milton Santos é que nós fala sobre a apreensão simbólica do espaço humanizado. A pergunta trata do espaço simbólico apreendido pelas formas negras de teatralidade. Também carrega questões sobre diferenças, indiferenças e coabitação de corpos racializados (Afroindigenas) e corpos tidos como universais (brancos), além de derivações e divagações sobre as possibilidades em torno da Descolonização dos Imaginários. Aqui um exercício de dinâmica corporal proposto por Artur Alfaia alune da ecoateatral, onde colaboro como educador. Já está disponível TEATRO SITUADO: REVISTA DE ARTES CÊNICAS COM OLHOS LATINO-AMERICANOS. N° 4, revista construída a muitas mãos, abrindo caminhos e conectando pessoas e trabalhos desta Nuestra América. Essa edição conta com textos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Paraguai, Peru e Venezuela sobre o tema "Territórios Abertos nas Artes Cênicas". Agradecemos cada contribuição!! E a aqui agradeço em especial ao mestre Salloma Jovino Salomão, do Brasil, pelo texto sobre teatralidades negras e periféricas, com olhar para a Cia. Capulanas de Arte Negra. Teatro Situado Revista de artes Cênicas com olhos Latino-americanos N° 4. Territórios Abertos nas Artes Cênicas. Abril, 2022. Coordenadoras: Julieta Grinspan | Mariana Mayor | Mariana Szretter | Design gráfico Lorena Divano. Imagem de capa: Projeto de cenografia e indumentária de Alejandro Mateo (ADEA) para o espetáculo “El robo del siglo”, de Marcela Marcolini, dir. Pablo Razuk (trabalho em processo). Argentina, Bs. As. Ver menos — com Paola Lopes Zamariola e outras 10 pessoas

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